Montana de motorhome

Nossa passagem pelo estado de Montana, nos Estados Unidos, foi breve e deixou uma certeza: vamos voltar lá um dia! Esse foi o oitavo dia da nossa viagem. O roteiro completo você confere neste link.

Montana entrou no nosso roteiro porque depois de visitarmos as Montanhas Rochosas Canadenses, queríamos voltar para a região de Vancouver e Seattle por um caminho diferente do que usamos par ir até os parques de Alberta. Então decidimos voltar fazendo um trajeto circular, passando pelos Estados Unidos e não mais pelo Canadá. Veja abaixo o mapa do nosso trajeto.

 

Montana é um estado remoto e um pouco fora dos roteiros tradicionais dos brasileiros nos Estados Unidos. Por outro lado, é um estado belíssimo. Dois dos parques norte-americanos mais bonitos estão localizados lá: boa parte do Yellowstone National Park e o Glacier National Park. A área rural também é encantadora. Muitos ranchos, cidades pequeninas e charmosas, estradas beirando lagos…

Montana, Estados Unidos
Montana, Estados Unidos

Nesse post vou contar como foi cruzar a fronteira Canadá – Estados Unidos de madrugada de motorhome, o motivo de não termos conseguido fazer a Going to the Sun Road (estrada que corta o Glacier National Park) e o que decidimos fazer ao invés da visita ao parque. De brinde, ainda conto do nosso perrengue quando fomos esvaziar a fossa do motorhome em um posto de gasolina e a mangueira toda ressecada simplesmente estourou e nem preciso dizer que foi número um e número dois para todo lado, né?

Cruzando a fronteira Canadá – Estados Unidos de motorhome

Quem viu o nosso post anterior, sabe que quando saímos de Banff (Canadá) com destino aos Estados Unidos, decidimos dirigir até onde conseguíssemos. Quando estivéssemos cansados, pararíamos o motorhome em algum lugar para dormir.

O Gustavo dirige super bem e gosta de dirigir. Então seguimos conversando, olhando a lua subir por trás das montanhas… Quando nos demos conta, estávamos chegando à fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá.

Eu nem tinha percebido, mas já passava de meia-noite! No entanto, estava tudo bem, eu já tinha checado o horário de funcionamento da fronteira no Roosville Border Crossing (Grasmere – Eureka) e no site constava que ela funcionava todos os dias da semana, 24 horas por dia (Dica: sempre confira informações atualizadas sobre os horários de funcionamento, endereços, regras e valores dos serviços que vai utilizar, pois tudo isso é sujeito a alteração).

Só que àquela altura da madrugada, não tinha nenhum carro circulando pela estrada. Só o nosso motorhome. Quando chegamos à froteira, todos os displays luminosos das filas de veículos estavam com um “x” vermelho bem grande, como se estivessem fechados. Diminuímos a velocidade e fomos nos aproximando. Não havia ninguém por ali para dar alguma informação pra gente. Do nada, um dos displays trocou o x vermelho por uma setinha verde e nós seguimos para aquele local e paramos o motorhome.

Um oficial da fronteira se aproximou e começou com o interrogatório. As perguntas eram similares às que são feitas quando entramos no país por via aérea, com exceção de uma: “Por que vocês estão cruzando a fronteira dos Estados Unidos tão tarde da noite?”. Ele falava de maneira muito ríspida. Não sei se estava bravo por ter que atender alguém naquele horário, se o acordamos e ele ficou de mau humor ou se aquela é a postura que ele tem que assumir e faz parte do trabalho dele.

Ele pediu os nossos passaportes e eu rapidamente os entreguei, mas esqueci que o do Felipe não estava junto com os demais, pois eu tinha tirado o dele no dia que o levamos ao hospital em Vancouver. Fui procurar o passaporte na outra bolsa, enquanto o Gustavo se encarregava de responder às perguntas do oficial. Em determinado momento, não sei o que deu no Gustavo, que se enrolou no inglês e não soube se expressar direito com relação a alguma coisa que ele perguntou. Eu fui ajudar na resposta e o oficial-mais-bravo-do-planeta-Terra me cortou: “ELE RESPONDE! A senhora trate de continuar com o trabalho de encontrar o passaporte que está faltando!”. Meu Deus, que homem grosso!

Achei o passaporte e entreguei para o oficial. Ele olhou os passaportes, olhou pra gente e falou: “Todo mundo desce do carro e me acompanha, inclusive as crianças”. Falei que elas estavam dormindo e ele me falou para acordar todo mundo e levar lá para dentro da salinha. Pensei: “Pra que isso, meu Deus?”. Por um lado, estava tranquila, porque sabia que todos os nossos documentos estavam certinhos e não tínhamos nada a temer. Por outro, vinha uma insegurança por não saber se aquele procedimento era padrão e também não entender por que aquele homem era tão irritado.

Acordamos a Isabela e levamos o Felipe dormindo no bebê-conforto. Entramos no escritório. Quando o oficial viu o Felipe bebezinho dentro do bebê-conforto e a cara de sono da Bela, ele ficou super constrangido. Do nada, o bad cop virou o good cop. “É um bebê! Me desculpem. Não sabia que ele era tão pequeno (detalhe… eu já tinha falado as idades dos dois). Por favor, pode levá-lo para dormir de novo no carro”. Olhou para a Isabela e perguntou: “Você quer colorir?”. E entregou um kit infantil “Crossing Borders” com livro para colorir e giz de cera. Então ele fez a cobrança de uma taxinha que precisamos pagar para cruzar a fronteira (confesso que não lembro quanto foi, quando eu descobrir, atualizo aqui) e que é válida por seis meses.

Para ganhar o prêmio de good cop de vez, ele perguntou se já tínhamos um lugar certo para dormir e falamos que íamos procurar algum lugar em Eureka. Daí ele sugeriu um posto de gasolina no segundo cruzamento da cidade, em frente a um Subway. Falou que lá era seguro e que ninguém nos perturbaria. Perfeito! Saímos da fronteira direto para o posto e pernoitamos ali. Então fica aqui a nossa dica de free camping em Eureka.

Eureka

Para quem não conhece, Eureka é uma cidadezinha de 1.086 habitantes, que fica grudada na fronteira Estados Unidos – Canadá. O lugar onde pernoitamos (free camping), que foi dica do oficial da fronteira, está sinalizado no mapa abaixo:

Como o oficial explicou, é em frente ao Subway que fica no posto de gasolina do segundo cruzamento da cidade. Lá dá para fazer free camping, mas infelizmente não tem dumping (estrutura para esvaziarmos o esgoto do motorhome e completarmos o tanque com água limpa).

Prefeitura de Eureka, Montana

Então, fizemos dumping em um outro posto de gasolina na mesma cidade. Nesse posto, quem compra alguma coisa na loja de conveniência não precisa pagar pelo dumping. E não é que quando o Gustavo estava esvaziando justo o tanque do banheiro, a mangueira do nosso motorhome decidiu estourar? Sim! Foi aquela lambança. Number one and number two pra todo lado. Que desespero para nós, meros viajantes de motorhome de primeira viagem. O funcionário que estava no posto, limpando as bombas de combustível, observava tudo de longe e ria. Ah, danado! Nem para ajudar a gente…

Esse é o posto onde fizemos o dumping:

Mas parece que esse é um problema bem comum para quem viaja de motorhome, pois no vídeo da Cruise Canada eles já deixam claro que se algo assim acontecer na estrada, é só comprar uma mangueira nova e manter o recibo, que eles reembolsam. Por sorte, praticamente ao lado do posto de gasolina tinha uma loja que vendia a tal mangueira específica para fazer dumping de motorhome? Isso às 7 horas da manhã! Só nos Estados Unidos mesmo… O Gustavo comprou, manteve o recibo e foi reembolsado muito tranquilamente no momento em que devolvemos o carro no fim da viagem.

E essa é a loja onde ele comprou a mangueira nova para o motorhome, bem ao lado do posto:

Quanto à sujeira que ficou espalhada pelo chão do posto, pusemos as nossas luvinhas descartáveis de procedimento e limpamos tudo ali, com ajuda da mangueira de água limpa. É… Foi trampo… Mas nunca esqueceremos do dia em que “cag*mos a cidade de Eureka”. Depois de tudo resolvido, não conseguíamos parar de rir da situação. A gente se mete em cada uma…

Outra coisa engraçada dessa experiência é que eu não vi o Gustavo saindo para comprar a mangueira, pois estava com as crianças dentro do motorhome. Quando saí do carro e ele não estava lá fora, perguntei ao tal funcionário que limpava as bombas se ele tinha visto o meu marido e ele respondeu: “Deve ter ido ao cassino”. Hahahahahahahahah. O posto de gasolina tinha um cassino e o cara achava que o Gustavo estava lá, jogando, relaxando depois de ter espalhado aquela melequeira lá pelo chão. Poucos minutos depois, aparece o meu herói com uma mangueira novinha em folha. Cena que fica para a nossa história…

A cara do Gustavo quando saímos do posto, depois de resolvida toda a lambança

Whitefish

Depois de resolvido o problema do dumping, estávamos morrendo de fome e decidimos partir rumo à cidadezinha de Whitefish, para tomarmos café da manhã. A cidade fica a menos de uma hora de Eureka e é um pouco maior (tem pouco mais de 7 mil habitantes). Seguimos na estrada, margeando o Dickey Lake. Cenário lindo de morrer.

A caminho de Whitefish, Montana.
A caminho de Whitefish, Montana.

Whitefish é uma cidadezinha linda! Super charmosa. E que céu azul é aquele? É lindo demais o céu de Montana. Talvez por isso o estado seja conhecido como “Big Sky Country”?

Whitefish, Montana
Whitefish, Montana
Whitefish, Montana
Whitefish, Montana
Whitefish, Montana
Whitefish, Montana

Tomamos café em uma das diners mais gostosas que já tivemos o prazer de visitar nos Estados Unidos. O lugar se chama Swift Creek Cafe. Recomendamos muito um café da manhã nesse lugar. O Glacier Scramble com pimentões, cogumelos e presunto é uma delícia!

Café da manhã no Swift Creek Cafe
Café da manhã no Swift Creek Cafe
Café da manhã no Swift Creek Cafe
Café da manhã no Swift Creek Cafe
Café da manhã no Swift Creek Cafe
Café da manhã no Swift Creek Cafe
Tem cadeirão no Swift Creek Cafe
Tem cadeirão no Swift Creek Cafe

Going to the Sun Road

Quando pesquisava os atrativos de Montana, descobri uma estrada incrível, que cruza o Glacier National Park: a lendária Going to the Sun Road. Decidi que precisava conhecê-la. Quanto mais eu lia sobre a estrada, mais percebia que esse seria um dos pontos altos do nosso roteiro.

Trata-se de uma rodovia que passa a maior parte do ano bloqueada, debaixo de neve. Até as máquinas mais potentes levam meses para remover toda a neve que se acumula em cima dela. O processo de remoção da neve só é finalizado em pleno verão, quando ela é reaberta para os visitantes.

Às vezes, em decorrência dos incêndios (wild fires), a estrada fecha novamente no período do outono. Foi justamente isso que aconteceu conosco. Nossos planos de conhecer a Going to the Sun Road foram por água abaixo quando, ainda no Brasil, recebemos um e-mail da agência de turismo que ia nos levar a um passeio, informando que o parque estava passando por um incêndio há alguns meses e todos os tours da temporada estavam cancelados. Só para vocês terem uma ideia, o incêndio começou em 10 de agosto de 2017 e em outubro, quando passamos por lá, ainda não tinha sido controlado. Saiba mais aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Sprague_Fire . Foi uma pena… Não conseguimos conhecer a estrada dessa vez, mas sabemos que um dia voltaremos lá. De qualquer forma, fica aqui a dica para quem tiver a oportunidade de conhecer esse parque incrível e percorrer a Going to the Sun Road.

Para os fãs de Forest Gump, o Lake McDonald, que fica ao longo dessa estrada, aparece nessa cena super emocionante do filme: https://www.youtube.com/watch?v=ISJ0VsnCvDo .

Kalispell

Sem termos como ir à Going to the Sun Road, seguimos dirigindo e descobrindo Montana. Um conjunto de “atrativos” chamou a nossa atenção. Um grupo de lojas que mexe com o coração de muito brasileiro: Target, TJMaxx, Ross, Best Buy, Bed Bath and Beyond, Dollar Tree, tudo junto em um só lugar. Vamos de compra-terapia, então. Afogaremos as mágoas por não podermos ir ao Glacier National Park. E fomos…

Nosso motorhome estacionado em frente às lojas do comércio de Kalispell, Montana
Nosso motorhome estacionado em frente às lojas do comércio de Kalispell, Montana

O comércio ali na cidadezinha de Kalispell é bem animado. E conforme você vai ampliando o seu raio, mais lojas vão surgindo. As lojas estavam uma graça. Todas decoradas e com bastante coisa de outono e do Halloween. Enquanto fiquei garimpando junto com as crianças na TJMaxx, o Gustavo cruzou a rua e foi bater perna na Cabela’s, uma loja de equipamentos para esportes e vida ao ar livre, que vende inclusive equipamentos para caça (leia armas).

O carrinho de compras que você respeita... Com espaço para guardar seu carrinho de bebê dobrado, cadeiras com cinto de segurança para as crianças e bastante espaço para colocar as compras
O carrinho de compras que você respeita… Com espaço para guardar seu carrinho de bebê dobrado, cadeiras com cinto de segurança para as crianças e bastante espaço para colocar as compras
Lojas com produtos outonais
Lojas com produtos outonais

Muitas fantasias para o Halloween

Depois da sessão compras, almoçamos no outro lado da rua, no Famous Dave’s. Esse restaurante é uma churrascaria de rede bem kid friendly, com menu infantil, material para colorir e giz de cera, cadeirão… Do jeitinho que a gente gosta. Pedimos uma Feast for Two, que dá conta de alimentar muito bem a família inteira e vem com opções variadas de carnes e acompanhamentos.

Almoço no Famous Dave's
Almoço no Famous Dave’s
Almoço no Famous Dave's
Almoço no Famous Dave’s
Menu infantil no Famous Dave's
Menu infantil no Famous Dave’s
Cardápio do Famous Dave's
Cardápio do Famous Dave’s
Detalhe na decoração do Famous Dave’s
Almoço no Famous Dave’s

Flathead Lake

Saindo de Kalispell, devíamos começar uma jornada rumo ao oeste, a caminho de Seattle. Decidimos que íamos dirigir até o estado do Idaho, pois queríamos dormir em uma cidadezinha chamada Coeur d’Alene. Escolhemos percorrer um caminho com maior apelo cênico, que definimos ali na hora, pelo Google Maps. Colocamos o GPS para nos levar primeiro até a cidade de Elmo, beirando o Flathead Lake, no estado de Montana.

Esse lago é uma coisa linda de se ver… Vale muito a pena fazer um caminho um pouquinho mais longo e seguir a estrada que margeia o lago.

Dirigindo ao longo do Flathead Lake
Flathead Lake
Flathead Lake
Flathead Lake

O Flathead Lake é o maior lago natural do oeste dos Estados Unidos. Tem uma área de mais de 500 quilômetros quadrados.

Dali, seguimos rumo a Coeur d’Alene, no Idaho. Jantamos no motorhome, no camping Blackwell Island RV Park, onde pernoitamos.

Na estrada, a caminho de Coeur d'Alene, Idaho.
Na estrada, a caminho de Coeur d’Alene, Idaho.
Chegando ao estado do Idaho.

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Agradecemos pela gentileza da Easysim4u, parceira da RBBV, por ter nos enviado como cortesia o chip e o plano (USA + Canadá) para que pudéssemos permanecer conectados, compartilhando todos os momentos desta roadtrip com os leitores do  nosso blog.

Banff, Alberta, Canadá: Montanhas Rochosas de motorhome, com crianças – os lagos

Continuando o nosso relato sobre o Parque Nacional de Banff (a primeira parte, você vê aqui), hoje falaremos sobre os lagos que estão na região. Esse é sétimo dia do nosso roteiro pelos Estados Unidos e Canadá de motorhome.

Muita gente já aproveita a passagem pela Icefields Parkway para ir conhecendo os lagos que ficam no caminho. No nosso caso, como ficou tarde no dia que estávamos percorrendo a estrada, preferimos deixar os lagos para um outro dia, para fazermos os passeios com calma e curtirmos a paisagem ainda com o dia claro.

Os lagos que deixamos para este último dia são os que ficam dentro do Banff National Park e não ficam longe da cidadezinha de Banff. E pra falar a verdade, gente, essa estrada é tão, tão linda, que não é problema nenhum ter que percorrer trechos ou mesmo ela inteira mais de uma vez. Percorrer de norte a sul, de sul a norte, ver a paisagem a partir de uma perspectiva diferente, em um horário e com uma luz diferente… Ter que voltar um pouquinho por um caminho que foi percorrido anteriormente não é nenhuma dor de cabeça neste caso e sim, um privilégio.

Eu posso reclamar de “ter que” percorrer essa estrada mais de uma vez?
Chegando em Lake Louise

Nesse sétimo dia de viagem, acordamos no camping Tunnel Mountain Trailer Court, com aquela vista de tirar o fôlego que nós mostramos no post anterior. Tomamos café da manhã no motorhome e pegamos a estrada rumo ao norte, em direção a Lake Louise.

Café da manhã no motorhome
Um café da manhã com essa vista!

Lake Louise

Nem preciso dizer que a paisagem no caminho até lá é fenomenal. Chegando a Lake Louise, aquele lago lindo, azul, imenso, uma multidão de turistas e o hotelzão Fairmont Chateau Lake Louise, com toda a imponência dos seus 8 andares, formando praticamente uma muralha em frente ao lago.

Lake Louise

Lake Louise

Fairmont Chateau Lake Louise

O nome do lago é uma homenagem à Princesa Louise Caroline Alberta, quarta filha da Rainha Victoria. A cor incrível, às vezes bem azul, às vezes azul esverdeada, vem das partículas de rocha que são levadas ao lago pelas águas derretidas das geleiras. A cor varia dependendo do ângulo, do horário, da luz do sol, das condições climáticas e da própria câmera que é usada para fazer a foto (inclusive no inverno, a paisagem muda completamente, pois ele congela e fica branquinho 😍).

Lake Louise
Lake Louise

Ali é possível alugar uma canoa e fazer um passeio pelo lago, passear a cavalo, fazer um almoço ostentação no hotel, percorrer algumas trilhas pelo entorno do lago e, claro, contemplar a paisagem no entorno. Se a sua visita às Rochosas for no inverno, acrescente às opções de passeio todas as possibilidades de diversão em um lago congelado, como patinação e passeio de trenó e, claro, a prática de esqui nas montanhas nevadas.

Lake Louise
Lake Louise

Em Lake Louise, assim como em Jasper e Banff, também tem uma gôndola que leva os visitantes para o alto da montanha para ter uma vista panorâmica da região. Saiba mais sobre este passeio aqui: http://www.lakelouisegondola.com/ .

Lake Louise

No nosso caso, nos contentamos em visitar o lago, dar uma volta pelas margens e em frente ao hotel, sentar um pouco por ali e contemplar a natureza. Em seguida, já partimos para o nosso próximo atrativo, pois tínhamos muito lago para ver e roupas para lavar (a Isabela deixou a toalha dela cair no chão do banheiro do camping e encharcou, então aproveitamos para lavar tudo o que estava sujo em Lake Louise).

 

Entrada do vilarejo de Lake Louise

Centrinho de Lake LouiseEm Lake Louise há uma pequena vila, que serve de ponto de apoio para os visitantes da região. É bem charmosinha, mas é bem menor que Jasper e Banff. A cidade tem alguma estrutura turística. A lavanderia que usamos foi a do hotel Lake Louise Inn, que é aberta para não-hóspédes. Enquanto as roupas lavavam, almoçamos no motorhome, que ficou estacionado bem próximo ao bloco onde ficam as lavadoras. O hotel me pareceu bacana e bem localizado.

Bow Lake

De Lake Louise, partimos para o Bow Lake, lindo, azul, deslumbrante. Esse lago é de acesso bem fácil, pois é margeado pela Icefields Parkway. O lago é formado pelas águas de derretimento da geleira Bow.

Sente a vibe da Bela no Bow Lake
Sente a vibe da Bela no Bow Lake
Bow Lake

Peyto Lake

Do Bow, partimos para o Peyto Lake, que deve ser o lago mais azul que já vimos na vida. É um azul tão forte que dói nos olhos.

Peyto Lake

Deixamos aqui uma dica bacana. No Peyto Lake, há dois bolsões de estacionamento. Um deles é para carros e motorhomes no geral e, para ir dele até o mirante do lago, percorre-se uma trilha pavimentada de uns 15 minutos. O segundo estacionamento é para ônibus e carros com pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e fica bem ao lado do mirante do lago. Como estávamos com carrinho de bebê, pedimos para seguir até o estacionamento próximo ao lago e nos autorizaram, sem problemas. Paramos lá, pertinho e seguimos para curtir a paisagem do lago. Esse segundo estacionamento tem muitas vagas, então se você estiver com carrinho de bebê, talvez seja interessante fazer como fizemos.

A geleira que alimenta o Peyto Lake
Peyto Lake
Peyto Lake
Com o carrinho de bebê, a caminho do Peyto Lake

Moraine Lake

Quando tentamos ir até o lago Moraine, um funcionário do parque tinha fechado o acesso pela rodovia que leva à região, porque havia excesso de veículos no estacionamento do lago. Quem quisesse ir até ele, tinha que ir de carro até um ponto da cidade e pegar um transfer gratuito para o lago. Preferimos desencanar, sair para almoçar e lavar nossas roupas e voltar mais tarde para o lago.

Estacionamento do Lake Moraine
Chegando ao Lake Moraine
Chegando ao Lake Moraine
Lake Moraine
Lake Moraine

Quando voltamos, no fim da tarde, o acesso já estava liberado e seguimos de motorhome até o estacionamento do lago. Chegamos lá já perto do fim da tarde e o lugar é uma graça. Tinha muitos troncos atravessados no caminho do estacionamento até o lago, o que podia atrapalhar um pouco o acesso de pessoas com mobilidade reduzida.

Troncos atrapalham o acesso às margens do Lake Moraine

Hector Lake

O Hector Lake é um dos lagos que se formam ao longo do Bow River. Seu nome é uma homenagem ao escocês Sir James Hector, geólogo, naturalista e cirurgião responsável pela Expedição Palliser.

O Hector Lake, visto da estrada

Depois que visitamos os lagos, pegamos a estrada rumo ao sul, em direção ao estado de Montana, nos Estados Unidos. Nosso objetivo era dirigir até onde pudéssemos e pararmos para dormir em qualquer lugar (camping, posto de gasolina, algum cantinho especial da estrada…). Essa flexibilidade é uma das vantagens de viajar de motorhome. Eu pretendia parar para dormir ainda no Canadá. O Gustavo queria cruzar a fronteira ainda nesse dia e já passar a noite nos Estados Unidos. Decidimos ir descendo, sem compromisso e acabamos chegando em Eureka, nos Estados Unidos. A lua nascendo por trás das Montanhas Rochosas na estrada foi coisa de cinema. Inesquecível!

 

Descendo em direção aos Estados Unidos, com a lua aparecendo por trás das Rochosas

Depois conto para vocês como foi a experiência de cruzar a fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá em um motorhome, de madrugada. Altas aventuras…

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Banff, Alberta, Canadá: Montanhas Rochosas de motorhome, com crianças (onde dormir, o que fazer, onde comer) – parte 1

Neste post, coloquei algumas dicas de Banff. Mas como tinha bastante coisa para escrever sobre a cidade, dividi o material em dois posts. Assim sendo, chamarei este aqui de Parte 1.

No sexto dia de viagem, acordamos em Banff, no camping Tunnel Mountain Trailer Court. Quando chegamos lá no dia anterior, já era noite, estava escuro e mal conseguíamos enxergar o nosso entorno. Só conseguíamos ver dezenas de elks (uapitis), que estavam em época de cio e ocupavam todo o espaço do camping. Mas sobre os elks, vou voltar a falar mais tarde.

O que não esperávamos era a vista incrível quando acordamos pela manhã. Foi emocionante puxar a cortina da janela e dar de cara com aquela montanha maravilhosa. Foi ali que passamos a noite?!? Que privilégio! Uma das vantagens de viajar de motorhome é essa. Dormir e acordar em localizações estratégicas, com vista esplêndida. Tem hotel de 5 estrelas, caro, que não proporciona vistas assim.

Vista da janela do motorhome, estacionado na nossa vaga do camping Tunnel Mountain Trailer Court.

A vaga que escolhemos no camping foi a número 224, com full hookup (eletricidade, água encanada e rede de esgoto). Tem essa vista linda e fica relativamente perto de um banheiro com chuveiros. O banheiro é limpinho e vale a pena tomar banho lá. É que no motorhome os banhos precisam ser rápidos ou a água esfria, às vezes acaba. No banheiro do camping, dá para tomar um banho mais relaxante, sem dar cotoveladas nas paredes o tempo todo (risos).

Depois do banho, fomos tomar café da manhã na cidade de Banff, no Tim Hortons. Encontramos um estacionamento super bacaninha e grátis onde dá para parar os motorhomes. Pontinho estratégico inclusive para estacionar e bater perna pela cidade. Paramos ali porque precisávamos dar uma passada na Brewster, que fica do outro lado da rua, e pegar os vouchers para os passeios que íamos fazer em seguida. O estacionamento é o parking lot da Wolf Street, bem ao lado do Banff – Mineral Springs Hospital.

Estacionamento grátis em Banff.

O escritório da Brewster, hoje conhecida como Pursuit e que organiza diversos passeios pelas Rochosas Canadenses, fica grudado em uma Tim Hortons. Para falar a verdade, tem uma passagem por dentro da Tim Hortons que já leva direto para dentro da Brewster. Lá nós conseguimos pegar nossos vouchers para os tours que faríamos mais tarde, pois por um problema de sistema, a operadora não estava conseguindo enviar nossos vouchers por e-mail.

Como falei no post anterior, a Pursuit vende um combo com ingressos para os principais atrativos pagos de Jasper e Banff. Comprando todos os ingressos juntos, você consegue economizar um pouco. O que escolhemos foi o Ultimate Explorer, que dá direito aos dois principais passeios da Icefields Parkway (Glacier Skywalk e Glacier Adventure, sobre os quais falamos no post anterior), ao Banff Lake Cruise (passeio de barco no lago) e à Banff Gondolahttps://www.banffjaspercollection.com/attractions/attraction-combo-packages/ (Agradecemos à Pursuit / Brewster Canada por ter fornecido ingressos de cortesia para a nossa família).

Banff Gondola

O primeiro passeio que fizemos nesse sexto dia de viagem foi o Banff Gondola. O início do passeio é na estação da gôndola, que fica localizada a cinco minutinhos de carro do centro de Banff. O teleférico leva os visitantes até o topo da Sulphur Mountain, que fica 2.451 metros acima do nível do mar. A subida até o alto da montanha é de 698 metros e leva em torno de 8 minutos.

Chegando à estação de onde sai o teleférico

Não, o ingresso não é muito barato, mas sim, trata-se de um passeio imperdível. Simplesmente não dá para chegar até ali e abrir mão de fazer esse tour. É emocionante demais, a vista é linda demais, a estrutura é boa demais e você viverá momentos inesquecíveis demais. Isso é fato.

Nossa família subindo a Sulphur Mountain no teleférico
Dentro do teleférico
Subida de teleférico
Subida de teleférico
Subindo a montanha

A subida, dentro do teleférico, já proporciona visuais de tirar o fôlego, mas chegando lá no alto da montanha, o visual panorâmico das rochosas é algo que realmente impressiona. Principalmente se você der a sorte de pegar os topos das montanhas nevados, como nós pegamos.

Gustavo e o Felipe, chegando ao alto da montanha
Gustavo e o Felipe, chegando ao alto da montanha
Eita Canadá bonito!

Partindo da estação que fica no topo, passarelas de madeira, escadarias e muitos mirantes te guiam em uma caminhada que liga um cume a outro da montanha. É bonito demais. Dá para passar o dia inteiro zanzando por ali. Fique atento à vida selvagem que pode se exibir ao redor. Aves, esquilos, ou quem sabe até mamíferos de maior porte podem aparecer pelo entorno.

A Bela e o Pipo não cola do esquilo
A Bela e o Pipo não cola do esquilo
O visual desse lugar é incrível
O visual desse lugar é incrível
Muitos mirantes e muita escada
Muitos mirantes e muita escada

O centro de visitantes é bem estruturado e tem exposições educativas com muita informação para os turistas. Conta também com restaurante com vista panorâmica, lanchonete / café, lojinha de souvenires, banheiros. O estacionamento é enorme, o que é bom para quem está carregando a casa na cabeça, em um motorhome.

Dicas

  • Prefira um dia com céu azul e aberto para curtir o visual do entorno. A grande graça desse passeio é o visual panorâmico das montanhas.
Panorâmica feita de um dos pontos da passarela. O céu azul ajuda bastante
Panorâmica feita de um dos pontos da passarela. O céu azul ajuda bastante
Como não amar esse lugar?
Como não amar esse lugar?
  • Aqui vale a mesma dica que demos para o teleférico de Jasper e o passeio da geleira. Mesmo que o dia esteja ensolarado, leve roupa apropriada para o clima mais frio. No topo da montanha, as temperaturas são bem mais baixas, venta bastante e o clima nas Rochosas vira muito rápido, então, esteja sempre preparado.
Dia ensolarado, mas todo mundo bem agasalhado. Sim, faz frio lá em cima!
Dia ensolarado, mas todo mundo bem agasalhado. Sim, faz frio lá em cima!
Lugar incrível!
  • Não dá para levar o carrinho de bebê para o topo da montanha. Ele ficará guardado na estação de baixo. Siga para o topo com todos os pertences do bebe que você possa precisar (fraldas, trocas de roupa, mamadeiras) e esteja preparado para carregar a criança no colo ao longo do caminho lá em cima. São muitos degraus e o passeio fica cansativo para os pais que estão com criança de colo. Haja braço e haja coluna! Mas não tenha dúvida. Mesmo com esse esforço extra, é um passeio que vale super a pena.
Como o Pipo ainda não andava tão bem, haja braço para carregar no colo ao longo do passeio.
Como o Pipo ainda não andava tão bem, haja braço para carregar no colo ao longo do passeio.
A caminhada fica longa quando você está carregando uma criança no colo.
Mamãe e papai se revezam no carregamento de bebê

 

Lake Banff Cruise

O segundo passeio que fizemos neste dia foi o cruzeiro no Lago Banff (Banff Lake Cruise), que é um passeio de barco no Lago Minnewanka. O tour dura em média uma hora e é uma ótima oportunidade para curtir a paisagem e aprender um pouco mais sobre as Montanhas Rochosas. Durante o verão, falam que é possível ver ursos nas margens do lago. Infelizmente não vimos nenhum urso e os guias que encontramos falaram que na época do ano em que fomos (setembro/outubro), é bem difícil conseguir avistá-los, pois eles já se alimentaram bem e estão subindo as montanhas para hibernar. Mas a gente sempre fica na esperança de encontrar um atrasadinho, né?

Banff Lake Cruise
Banff Lake Cruise
Banff Lake Cruise
Banff Lake Cruise

O passeio é lindo, lindo e é uma boa oportunidade para dar uma parada e relaxar. Em determinado momento do nosso tour, a nossa condutora e o nosso guia perguntaram se algum turista queria conduzir o barco e a Bela foi lá ser a nossa capitã. Não preciso dizer que ela amou muito, né?

Nosso guia era um francês super divertido
Nosso guia era um francês super divertido
A Bela amando ser a capitã do nosso barco
A Bela amando ser a capitã do nosso barco

Uma voltinha por Banff

Voltamos do passeio do lago com muita fome. Paramos no Tim Hortons e fizemos um lanche-janta. Eles vendem umas sopas e chilli que caíram super bem naquele horário, finzinho de tarde. Mais tarde, jantaríamos pra valer no motorhome.

Igreja super fofa no centro de Banff
Igreja super fofa no centro de Banff
Esse tal de Tim Hortons vicia
Esse tal de Tim Hortons vicia

Depois do Tim Hortons, fomos fazer um  passeio pela cidade de Banff. Paramos o motorhome em frente ao Banff Canoe Club e ficamos observando as pessoas passearem de bicicleta ao lado do Bow River. De lá, fomos procurar alguma lavanderia aberta, pois tínhamos roupa de cama e toalhas para lavar, mas infelizmente não encontramos nada aberto à noite.

Passeio por Banff no fim da tarde
Passeio por Banff no fim da tarde
Bow River
Bow River

Tempo de reprodução dos uapitis (elks)

Não conseguimos ver ursos na nossa viagem porque em setembro e outubro já se torna bem mais difícil avistá-los do que durante o verão. É possível ver, sim. Mas é beeeem difícil. A grande maioria já está subindo a montanha para hibernar. Já os uapitis (elks), vimos muitos. Principalmente no nosso camping. Quando chegávamos com o motorhome na nossa vaga, tínhamos que dirigir devagar para eles irem aos poucos abrindo espaço para podermos estacionar.

Acontece que essa espécie de mamífero de grande porte entra no cio nesta época do outono (elk rutting season). Então fica muito mais fácil de avistá-los pelos lugares. Em setembro e outubro, eles perdem mesmo a timidez e invadem os campings. Na entrada do parque de Banff, funcionários entregavam panfletos orientando como os visitantes devem agir com os elks, pois eles são animais que podem ser bem agressivos, se se sentirem ameaçados. E uma coisa bem legal é que nessa época eles aparecem em bandos e emitem um som bem característico.

Infelizmente não temos uma foto que preste desses bichos, pois nas duas noites que dormimos em Banff, voltamos tarde para o camping e já estava escuro. Também não íamos arriscar tacar uma foto com flash na cara do bicho e esperar para ver a reação dele. Então ficamos só apreciando mesmo. Além disso, na chegada ao camping, começava uma maratona para alimentar as crianças, colocar todo mundo na cama, colocar os aparelhos eletrônicos para carregar, fazer dumping, conectar o motorhome na água encanada, esse tipo de coisa. E óbvio, todo mundo exausto. Mas para quem não conhece esse animal lindo, joga elk, uapiti ou Cervus canadensis no Google Imagens e vê quanta foto linda que aparece.

Saiba mais sobre os elks no Banff National Park: https://www.pc.gc.ca/en/pn-np/ab/banff/decouvrir-discover/faune-wildlife/wapiti.

 

Nesta sexta noite, jantamos no motorhome e dormimos mais uma vez no camping Tunnel Mountain Trailer Court, na nossa vaguinha número 224.

No próximo post vou falar sobre alguns outros passeios para fazer em Banff. Será a parte 2 desse parque nacional incrível.

 

 

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