Seattle: uma introdução + dicas para conhecê-la de motorhome (onde dormir, estacionar e tomar café da manhã)

Nesse post vamos falar um pouquinho sobre algumas das coisas que fazem a cidade se Seattle ser absolutamente especial e daremos algumas dicas para quem pretende ir até lá de motorhome (onde dormir, campings, free camping, onde tomar café da manhã perto dos campings e onde estacionar o carro para explorar a cidade).

Seattle é conhecida como Rain City (“Cidade da Chuva”) e também como The Emerald City (“A Cidade Esmeralda”). Gosto mais do segundo nome, pois Seattle teve a imensa consideração de nos brindar com dias lindos, de sol brilhando e céu azul. Nos dias que passamos lá, só pegamos um comecinho de manhã chuvoso, que logo se converteu em dia de céu de brigadeiro.

Seattle nos recebeu com céu azul.

Ficamos em Seattle praticamente 4 dias inteiros (chegamos no 9º dia de viagem e fomos embora no 13º) e achamos que foi um bom tempo para termos uma ideia da cidade. Se eu tivesse mais tempo lá, para ir além das principais atrações turísticas da cidade, teria ficado ainda mais feliz. Seattle é uma cidade muito gostosa. Tem tudo o que uma cidade grande americana tem, mas não é grandalhona. Dá para fazer um monte de coisa legal a pé e as principais atrações turísticas estão concentradas praticamente na mesma região.

As principais atrações de Seattle ficam concentradas no Seattle Center e na orla.
As principais atrações de Seattle ficam concentradas no Seattle Center e na orla.

Seattle está localizada em Puget Sound, uma região estuarina do estado de Washington. Isso faz com que a paisagem sempre esteja marcada por água e pontes, o que particularmente me agrada bastante.

Quem tiver muita sorte e pegar um dia com o céu bem limpo, vai ser brindado com uma vista linda do Monte Rainier por trás da cidade. Trata-se da maior montanha do estado de Washington, que passa a maior parte do tempo com o topo branquinho, coberto de neve e é um vulcão ativo. Sua última erupção foi em 1894.

Mount Rainier despontando por trás de Seattle. Foto: Victoegrigas – CC BY-SA 3.0

Seattle também é uma “pequenina” que impressiona por sua produção artística, tecnológica e intelectual. Com menos de 700 mil habitantes (3,5 milhões na região metropolitana), a cidade é sede de multinacionais como a Boeing, Microsoft, Amazon e Starbucks.

Na música, Seatlle é a cidade natal de nada menos que o melhor e maior guitarrista da história do rock, Jimi Hendrix. Bandas como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden levaram o grunge para o mundo. Não é à toa que o estilo grunge também é conhecido como som de Seattle. Esse estilo de rock alternativo surgiu na cidade no final da década de 1980 e ainda hoje influencia bandas de rock do mundo inteiro.

Seattle, Washington State
Seattle, Washington State

Também foi em Seattle que ficaram conhecidos grandes artistas do jazz, como Ray Charles (considerado um dos maiores gênios da música norte-americana), Quincy Jones e Ernestine Anderson. No hip hop, Seattle lançou nomes como Sir Mix-A-Lot e Macklemore (Thrift Shop tem mais de 1,2 bilhões de visualizações no Youtube). Ou seja, muito do que se escuta mundo afora está direta ou indiretamente ligado àquele cantinho da costa oeste americana.

Ah! Para os fãs de séries e cinema, é em Seattle que se passam as histórias de “Grey’s Anatomy”, “50 Tons de Cinza” e o absolutamente apaixonante “10 Coisas que eu Odeio em Você”.

Outra coisa muito legal de Seattle é que a cidade fica a pouco mais de duas horas de carro de Vancouver (Canadá) e tem acesso fácil a Victoria (capital da British Columbia) de ferry. Também saem de Seattle (e de Vancouver) muitos cruzeiros que vão para o Alasca. Então Seattle é uma cidade bem estratégica para servir de base para roteiros naquela região.

Se ainda não consegui te convencer a querer visitar Seattle, me acompanha nos próximos posts, que vou mostrar os lugares mais legais para visitar na cidade. É impossível não curtir muito esse lugar!

Seattle de motorhome

Na fase de planejamento desta viagem, uma coisa que me preocupou bastante foi como faríamos para visitar Seattle de motorhome. Afinal, dirigir em um cidade grande com um trambolhão não é a coisa mais prática do mundo. E quanto mais eu pesquisava, mais encontrava pessoas em fóruns falando que não se atreveriam a dirigir um motorhome dentro de Seattle.

Dirigindo o motorhome em Seattle

Continuei na pesquisa e descobri que a família do blog Felipe, o Pequeno Viajante, tinha visitado Seattle com motorhome, sim. Eles até deram uma dica preciosa de um local super bacana (e barato, se compararmos com o resto da cidade) para estacionar o motorhome bem ao lado da Space Needle e do burburinho turístico de Seattle.

Esse se tornou o nosso ponto favorito para parar o motorhome e desbravar a cidade (o lugar onde parávamos era na Taylor Avenue N, mais ou menos na altura do número 303, um pouco antes do Best Western), por trás do Ride the Ducks os Seattle e da Space Needle. Acho que o estacionamento ali custava 9 dólares e podia deixar o carro por um período de até 10 horas. O pagamento podia ser feito por um aplicativo que é baixado no site paybyphone.com. Também encontramos lugar fácil para estacionar na região do aquário e da roda gigante. Lá, nós deixamos o carro no Public Parking que fica na própria Alaskan Way, altura do número 1510. Lá tem um estacionamento coberto com elevadores para o Pike Place Market, mas deixamos na parte aberta (por causa da altura do motorhome), embaixo do viaduto.

Nossa vaga favorita, bem ao lado da Space Needle.
Nossa vaga favorita, bem ao lado da Space Needle.

Ou seja, com um pouquinho de paciência e sabendo dirigir bem, não vejo nenhum problema em circular de motorhome dentro de Seattle.

O único dia que decidimos deixar o motorhome em casa e ir para a cidade de Uber foi no dia do jogo dos Seattle Seahawks, pois estacionamento próximo a estádio em dia de jogo costuma ser muito caro e difícil de encontrar. Chegamos a tentar reservar uma vaga em frente ao estádio para participar da tailgate party, mas não encontramos vagas disponíveis que custassem preços pagáveis (rsrsrs). No post sobre o jogo vou explicar melhor o que é tailgate, quem sabe alguém um dia tem oportunidade de participar…

Onde pernoitar com o motorhome em Seattle

Com relação ao pernoite, dormimos em dois campings diferentes em Seattle. Os dois ficam fora da cidade, mas ambos dentro da região metropolitana e com acesso rápido e fácil para os principais pontos turísticos.

Uma coisa que vale destacar é que campings que ficam em regiões muito urbanas costumam ter as vagas bem mais apertadinhas que aqueles que ficam em parques nacionais. Então não estranhe se seu motorhome ficar encostadinho em outro e se você chegar no camping e não tiver uma mesa exclusiva para fazer suas refeições.

O primeiro camping que ficamos foi o Trailler Inns of Bellevue, que conta com vagas full hookup (com água encanada, rede de esgoto, eletricidade) e até cabos de TV para os motorhomes que têm a sorte de ter televisão. O camping tem piscina (só liberada para crianças acima de três anos que já tenham passado pelo desfralde), playground pequenininho (mas que quebra o galho) e banheiros limpinhos. Só não ficamos todos os dias nesse camping porque em um dos dias não tinha vaga. Ia rolar um show de rock na cidade e tinha muito motorhome circulando. Como não tínhamos feito reserva, tivemos que procurar outro camping para pernoitar na noite do show.

Trailler Inns of Bellevue
Playground do camping
Trailler Inns of Bellevue

Se você se hospedar na região de Bellevue como nós fizemos, um lugar legal para tomar café da manhã é o Lil’ Jon Restaurant, uma diner com estilo bem tradicional, que é operada pela mesma família há três gerações. Café da manhã delicinha.

Café da manhã no Lil’ Jon
Café da manhã no Lil’ Jon
Cardápio do Lil’ Jon

O outro camping onde nos hospedamos foi o Seattle/Tacoma KOA. A KOA (Kampgrounds of America) é uma rede com quase 500 campings espalhados em todo o território americano). Nessa unidade onde nos hospedamos, eles têm vagas com full hookup, tv a cabo, wi-fi, playgroung, piscina outdoor aquecida, sessões de cinema e de jogos dos Seattle Seahawks, área para pesca, aluguel de bicicletas, serviços de shuttle… É um camping bem estruturado e bem focado no segmento da família.

KOA Seattle/Tacoma
Playground no KOA Seattle/Tacoma
KOA Seattle/Tacoma

No dia que dormimos no KOA, tomamos café da manhã na charmosa cidadezinha de Kent, a 10 minutinhos de carro do camping. O lugar escolhido foi o Maggie’s on Meeker, que tem um jeito todo especial de lidar com as crianças. Amamos!

Panquecas no Maggie’s on Meeker
Café da manhã no Maggie’s on Meeker

Para quem procura free camping, uma dica da Claudia Rodrigues, do blog Felipe, o Pequeno Viajante, e que também vi em alguns fóruns pela internet é a ilhota Mercer Island, que fica entre Bellevue e Seattle. Falam que naquela região há a possibilidade de parar o motorhome na proximidade dos parques urbanos.

 

No próximo post vamos falar sobre as coisas que você não pode deixar de fazer em Seattle. Aguardem! =)

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Banff, Alberta, Canadá: Montanhas Rochosas de motorhome, com crianças – os lagos

Continuando o nosso relato sobre o Parque Nacional de Banff (a primeira parte, você vê aqui), hoje falaremos sobre os lagos que estão na região. Esse é sétimo dia do nosso roteiro pelos Estados Unidos e Canadá de motorhome.

Muita gente já aproveita a passagem pela Icefields Parkway para ir conhecendo os lagos que ficam no caminho. No nosso caso, como ficou tarde no dia que estávamos percorrendo a estrada, preferimos deixar os lagos para um outro dia, para fazermos os passeios com calma e curtirmos a paisagem ainda com o dia claro.

Os lagos que deixamos para este último dia são os que ficam dentro do Banff National Park e não ficam longe da cidadezinha de Banff. E pra falar a verdade, gente, essa estrada é tão, tão linda, que não é problema nenhum ter que percorrer trechos ou mesmo ela inteira mais de uma vez. Percorrer de norte a sul, de sul a norte, ver a paisagem a partir de uma perspectiva diferente, em um horário e com uma luz diferente… Ter que voltar um pouquinho por um caminho que foi percorrido anteriormente não é nenhuma dor de cabeça neste caso e sim, um privilégio.

Eu posso reclamar de “ter que” percorrer essa estrada mais de uma vez?
Chegando em Lake Louise

Nesse sétimo dia de viagem, acordamos no camping Tunnel Mountain Trailer Court, com aquela vista de tirar o fôlego que nós mostramos no post anterior. Tomamos café da manhã no motorhome e pegamos a estrada rumo ao norte, em direção a Lake Louise.

Café da manhã no motorhome
Um café da manhã com essa vista!

Lake Louise

Nem preciso dizer que a paisagem no caminho até lá é fenomenal. Chegando a Lake Louise, aquele lago lindo, azul, imenso, uma multidão de turistas e o hotelzão Fairmont Chateau Lake Louise, com toda a imponência dos seus 8 andares, formando praticamente uma muralha em frente ao lago.

Lake Louise

Lake Louise

Fairmont Chateau Lake Louise

O nome do lago é uma homenagem à Princesa Louise Caroline Alberta, quarta filha da Rainha Victoria. A cor incrível, às vezes bem azul, às vezes azul esverdeada, vem das partículas de rocha que são levadas ao lago pelas águas derretidas das geleiras. A cor varia dependendo do ângulo, do horário, da luz do sol, das condições climáticas e da própria câmera que é usada para fazer a foto (inclusive no inverno, a paisagem muda completamente, pois ele congela e fica branquinho 😍).

Lake Louise
Lake Louise

Ali é possível alugar uma canoa e fazer um passeio pelo lago, passear a cavalo, fazer um almoço ostentação no hotel, percorrer algumas trilhas pelo entorno do lago e, claro, contemplar a paisagem no entorno. Se a sua visita às Rochosas for no inverno, acrescente às opções de passeio todas as possibilidades de diversão em um lago congelado, como patinação e passeio de trenó e, claro, a prática de esqui nas montanhas nevadas.

Lake Louise
Lake Louise

Em Lake Louise, assim como em Jasper e Banff, também tem uma gôndola que leva os visitantes para o alto da montanha para ter uma vista panorâmica da região. Saiba mais sobre este passeio aqui: http://www.lakelouisegondola.com/ .

Lake Louise

No nosso caso, nos contentamos em visitar o lago, dar uma volta pelas margens e em frente ao hotel, sentar um pouco por ali e contemplar a natureza. Em seguida, já partimos para o nosso próximo atrativo, pois tínhamos muito lago para ver e roupas para lavar (a Isabela deixou a toalha dela cair no chão do banheiro do camping e encharcou, então aproveitamos para lavar tudo o que estava sujo em Lake Louise).

 

Entrada do vilarejo de Lake Louise

Centrinho de Lake LouiseEm Lake Louise há uma pequena vila, que serve de ponto de apoio para os visitantes da região. É bem charmosinha, mas é bem menor que Jasper e Banff. A cidade tem alguma estrutura turística. A lavanderia que usamos foi a do hotel Lake Louise Inn, que é aberta para não-hóspédes. Enquanto as roupas lavavam, almoçamos no motorhome, que ficou estacionado bem próximo ao bloco onde ficam as lavadoras. O hotel me pareceu bacana e bem localizado.

Bow Lake

De Lake Louise, partimos para o Bow Lake, lindo, azul, deslumbrante. Esse lago é de acesso bem fácil, pois é margeado pela Icefields Parkway. O lago é formado pelas águas de derretimento da geleira Bow.

Sente a vibe da Bela no Bow Lake
Sente a vibe da Bela no Bow Lake
Bow Lake

Peyto Lake

Do Bow, partimos para o Peyto Lake, que deve ser o lago mais azul que já vimos na vida. É um azul tão forte que dói nos olhos.

Peyto Lake

Deixamos aqui uma dica bacana. No Peyto Lake, há dois bolsões de estacionamento. Um deles é para carros e motorhomes no geral e, para ir dele até o mirante do lago, percorre-se uma trilha pavimentada de uns 15 minutos. O segundo estacionamento é para ônibus e carros com pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e fica bem ao lado do mirante do lago. Como estávamos com carrinho de bebê, pedimos para seguir até o estacionamento próximo ao lago e nos autorizaram, sem problemas. Paramos lá, pertinho e seguimos para curtir a paisagem do lago. Esse segundo estacionamento tem muitas vagas, então se você estiver com carrinho de bebê, talvez seja interessante fazer como fizemos.

A geleira que alimenta o Peyto Lake
Peyto Lake
Peyto Lake
Com o carrinho de bebê, a caminho do Peyto Lake

Moraine Lake

Quando tentamos ir até o lago Moraine, um funcionário do parque tinha fechado o acesso pela rodovia que leva à região, porque havia excesso de veículos no estacionamento do lago. Quem quisesse ir até ele, tinha que ir de carro até um ponto da cidade e pegar um transfer gratuito para o lago. Preferimos desencanar, sair para almoçar e lavar nossas roupas e voltar mais tarde para o lago.

Estacionamento do Lake Moraine
Chegando ao Lake Moraine
Chegando ao Lake Moraine
Lake Moraine
Lake Moraine

Quando voltamos, no fim da tarde, o acesso já estava liberado e seguimos de motorhome até o estacionamento do lago. Chegamos lá já perto do fim da tarde e o lugar é uma graça. Tinha muitos troncos atravessados no caminho do estacionamento até o lago, o que podia atrapalhar um pouco o acesso de pessoas com mobilidade reduzida.

Troncos atrapalham o acesso às margens do Lake Moraine

Hector Lake

O Hector Lake é um dos lagos que se formam ao longo do Bow River. Seu nome é uma homenagem ao escocês Sir James Hector, geólogo, naturalista e cirurgião responsável pela Expedição Palliser.

O Hector Lake, visto da estrada

Depois que visitamos os lagos, pegamos a estrada rumo ao sul, em direção ao estado de Montana, nos Estados Unidos. Nosso objetivo era dirigir até onde pudéssemos e pararmos para dormir em qualquer lugar (camping, posto de gasolina, algum cantinho especial da estrada…). Essa flexibilidade é uma das vantagens de viajar de motorhome. Eu pretendia parar para dormir ainda no Canadá. O Gustavo queria cruzar a fronteira ainda nesse dia e já passar a noite nos Estados Unidos. Decidimos ir descendo, sem compromisso e acabamos chegando em Eureka, nos Estados Unidos. A lua nascendo por trás das Montanhas Rochosas na estrada foi coisa de cinema. Inesquecível!

 

Descendo em direção aos Estados Unidos, com a lua aparecendo por trás das Rochosas

Depois conto para vocês como foi a experiência de cruzar a fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá em um motorhome, de madrugada. Altas aventuras…

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